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Sustentabilidade: realidade ou ilusão para vender mais?

Do ponto de vista teórico, existe um grande embate acerca do tema “sustentabilidade”

A grande pergunta é: Como é possível crescer economicamente sem haver impacto nas questões sociais e ambientais?  Basicamente, há duas vertentes que debatem o assunto. De um lado aqueles que acreditam que as empresas têm um papel na sociedade, que é o de gerar lucro, ou, ainda, que de fato elas existem para explorar todos os recursos disponíveis, e que futuramente o ajuste se daria por escassez de oferta de produtos ou por avanços tecnológicos. Enquanto que, para outras correntes teóricas, as empresas desempenham um papel social (stakeholders) e devem se preocupar com as gerações futuras, praticando ações que visem à preservação e à manutenção da sustentabilidade do planeta.

De um modo geral, o que acabou se convencionando é o conceito triple botton line, conforme o qual uma ação é sustentável quando se preocupa com três aspectos: a sustentabilidade econômica, a sustentabilidade social e a sustentabilidade ambiental. Com base na segunda vertente, muitas empresas passaram, desde o fim do século passado e início deste, a estampar em seu discurso uma preocupação com o tema da sustentabilidade social ambiental. Essa comunicação, ou discurso, foi feita através da mídia e da divulgação dos valores das empresas (missão e visão), de modo a legitimar sua ação na sociedade. De uma hora para outra, as empresas passaram a utilizar o jargão “sustentabilidade” para tudo!

Muito se fala, pouco se faz.

Nossa pesquisa analisou 15 empresas brasileiras de grande porte que se declaram sustentáveis. Depois de constatar a presença da palavra “sustentabilidade” ou sinônimos na descrição da missão, visão e valores das empresas, analisamos os relatórios de sustentabilidade produzidos por elas, e assim foi possível constatar a evolução dos investimentos dessas empresas em ações sociais e ambientais.

O discurso sustentável estava presente na estratégia (missão e visão) de 14 das 15 empresas analisadas. Foi confirmado que as empresas que se declaram sustentáveis não apresentam performance sustentável (investimento em sustentabilidade) superior à performance econômico-financeira. O emprego da palavra “sustentabilidade” pela empresa em sua estratégia está mais ligado a um propósito discursivo da organização do que a uma preocupação real.

Parece que usar o termo “sustentabilidade” no discurso com a sociedade é algo relativamente fácil, afinal de contas, inserir algumas palavras desse tipo na comunicação da empresa não é nada complicado. Porém, manter investimentos sociais e ambientais em linha com o crescimento da receita, lucro ou do retorno econômico-financeiro é algo ainda muito difícil para as empresas.

Portanto, quando ler algo com a palavra “sustentabilidade” nos anúncios das empresas, pergunte-se se realmente o posicionamento da empresa é verdadeiro ou uma mera forma de enganar você!

Postado 16 de Novembro de 2018
Por Redação

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