Réveillon em lugares inesquecíveis

Um músico, uma publicitária e um empresário contam como foi o réveillon que passaram em uma praia da costa da África, nas pirâmides mexicanas e em plena Avenida Paulista, depois de correr a São Silvestre.

Mais um ano passou voando, não dá para acreditar. Muitas pessoas aproveitam a folga do fim de ano para viajar e desfrutar com a família momentos de descanso e tranquilidade.

Selecionamos três histórias bem diferentes de pessoas que optaram por começar o ano em lugares inesquecíveis, seja pela história, pela beleza ou pelo desafio. Um músico, uma publicitária e um empresário contam como foi o réveillon que passaram em uma praia da costa da África, nas pirâmides mexicanas e em plena Avenida Paulista, depois de correr a São Silvestre.

Em comum, os três relatam que o auge foi a energia do lugar e das pessoas em volta. Então, não esqueça: quando planejar a virada do ano, o local é muito importante, porém o que faz toda a diferença é a companhia.

Energia e introspecção para começar o ano

A publicitária Izabella Franceschi é de Santa Catarina e passou o réveillon de 2013 na Cidade do México.

Depois de um ano difícil e conturbado, queria encerrar 2012 de maneira emblemática, em um lugar novo e desconhecido que me fortalecesse para enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente. Fui então para o México com um casal de amigos que tinha parentes lá. Fomos muito bem recebidos. Saímos do Brasil no dia 25 de dezembro e enfrentamos mais de 15 horas de vôo – uma viagem estressante e longa. Mas quando se chega àquele país incrível, esquece-se de tudo, até do cansaço.

No México, tudo é muito colorido e vibrante. Nos primeiros dias, passeamos pelas ruas da capital, visitamos museus e parques. O lugar que mais gostei de conhecer foi a Casa de Frida Kahlo. Reservamos propositalmente o dia 31 de dezembro para ir conhecer Teotihuacan, um antigo centro urbano que é hoje um sítio arqueológico. Um lugar mágico, com vários templos e monumentos, a Avenida de los Muertos e a Pirâmide do Sol e da Lua. Estar nesse lugar foi como me transportar para outra dimensão. Senti uma energia vinda do céu e da terra, do vento e dos barulhos da natureza, um conjunto de coisas que me fizeram quase que renascer ali.

Subir a Pirâmide do Sol foi uma experiência única. São muitos degraus desgastados pelo tempo e até perigosos. Mas, a cada degrau, a vontade de subir era maior, eu queria ver tudo lá de cima e me sentir mais perto de los dioses (dos deuses). Ficamos lá durante horas, queríamos começar 2013 de maneira diferente: com a alma elevada e pensamentos positivos e calmos. Foi fantástico, dava quase para tocar as energias emanadas dali.

Para encerrar de forma perfeita, fizemos uma ceia de réveillon no melhor estilo chicano: com amigos especiais, música típica, tequila, mezcal e muita alegria.

Mar azul e música de lavar a alma

Cid Travaglia, músico capixaba, que mora na África do Sul, conta como foi o Ano Novo de 2011 em uma praia de Moçambique.

Eu viajava com minha banda Napalma em uma turnê pela África. Estávamos dirigindo a mais de 15 dias, subindo pela costa sul-africana com shows quase todos os dias, até chegarmos à Vila do Tofo – uma das principais áreas turísticas de Moçambique. Lá, participaríamos do Ocean Festival, um festival incrível que acontece no Fatima’s Nest. Eu e minha equipe – dois sul-africanos, um israelense e um moçambicano – ficamos hospedados no chalé do Fatima’s, de frente para o mar azul e quente daquele país. A festa da virada foi fantástica, e não poderia ter sido diferente. Estávamos em um lugar maravilhoso, tínhamos passado um dia lindo de praia e sossego, e todas as pessoas que estavam no Tofo exalavam felicidade.

O público estimado do Ocean Festival era de 800 pessoas, vindas de várias partes do mundo, o que elevou ainda mais a energia do lugar. E essa galera toda dançou sem parar ao som do Napalma e outros DJs. Na hora da virada, nós nos reunimos e estouramos um champanhe, para começar o ano com o pé direito e o primeiro show do Napalma, logo após a queima dos fogos à meia-noite. Nós nos abraçamos, dei um longo beijo na minha namorada e pulei no palco.

No Tofo, a festa não tinha hora para acabar. O som não cessava, até a padaria parecia uma boate. Faltava pão, mas não faltava música.

 Superando desafios

Horácio Coutinho é empresário e resolveu enfrentar a corrida de São Silvestre em um réveillon de muita chuva e superação.

Em vez de pular onda, comer uvas ou usar uma cueca vermelha, um Ano Novo marcante foi o de 2012, quando corri minha primeira São Silvestre, em São Paulo. Eu estava me preparando para a corrida havia pouco tempo e, por isso, o desafio era ainda maior.

Nessa época, a corrida ainda acontecia à tarde e terminava no início da noite. A partida era na Av. Paulista e a chegada, no Parque Ibirapuera. O trajeto todo é de 15 quilômetros de subidas e descidas, e foi muito difícil, pois, além dos desafios naturais da prova e do trecho no centro de São Paulo, São Pedro resolveu abrir a torneira do céu e mandar uma chuva muito forte logo no início do percurso.

Após completar a prova, perto das 19 horas, vi que a lama tinha tomado conta do Parque Ibirapuera. Nenhum taxista queria transportar uma pessoa suja e molhada, então, depois de correr debaixo de chuva, caminhei exausto mais 6 km até o hotel. A Avenida Paulista já começava a ficar tomada pela multidão, que iria acompanhar o show da virada. Foi bom sentir a energia das pessoas, que não se importavam com a chuva e estavam felizes e eufóricas. Para mim, superado o desafio, com a alma limpa e lavada, restou comer umas frutas secas, tomar um espumante, ver os primeiros fogos da Paulista e dormir com a certeza de ter terminado 2011 muitíssimo bem e estar iniciando 2012 com a alegria de que poderia percorrer ainda muitos caminhos.

20 de Dezembro de 2018
Por Leandro Oliveira

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