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Japão e os encantos do Oriente

Fernanda Yanaze Maia é jornalista e gosta de ler, ir ao cinema, brincar com as filhas e, claro, viajar. Ela conta com exclusividade para a Woods como foi conhecer Tóquio, no Japão, terra dos seus ascendentes, lugar de noites agitadas, grandes centros de entretenimento, ótimas opções de gastronomia e belíssimos jardins e templos.

O Japão é um arquipélago composto por milhares de ilhas no Oceano Pacífico. Tóquio, a capital do país, é uma megalópole considerada uma das mais vanguardistas do mundo. É uma cidade que parece estar ligada no 220 volts, com pessoas transitando pelas ruas – de forma muito organizada – em todos os horários, um sistema de transporte de centenas de quilômetros de linhas de metrô e de trem, ruas repletas de letreiros luminosos que são de arder os olhos e muitos arranha-céus, mas ao mesmo tempo com lugares encantadores, que transmitem muita paz e onde se pode recarregar as energias.

Prova disso é o East Garden do Palácio Imperial. Dá para imaginar uma área verde equivalente a 23 campos de beisebol no Centro de Tóquio? É o tamanho desse grande jardim, um lugar no meio da agitada capital que inspira paz. É ali, em uma área restrita, que fica a residência do imperador do Japão, construída no local do antigo Castelo de Edo, onde viveu o Shogun Tokugawa Yoshinobu. A visita aos jardins é gratuita. A parte mais interior do complexo fica aberta para visitação apenas duas vezes por ano, no aniversário do Imperador Akihito (23 de dezembro) e no ano-novo (2 de janeiro).

Assim como é possível encontrar templos e belíssimos jardins no centro de Tóquio, também há o agito de bairros como Roppongi – onde acontece a vida noturna, com muitos bares e boates – e Shibuya – um centro de moda e cultura jovem, com área comercial e entretenimento. É onde fica o famoso cruzamento em frente à estação de Hachiko Exit, com telas gigantes e anúncios de neon que atraem a atenção dos pedestres.

Cultura Exemplar

E o que falar da segurança, organização e educação? A pontualidade, por exemplo, é impressionante. Os trens chegam até mesmo minutos antes do horário previsto, os horários dos compromissos e reuniões são cumpridos à risca e existe ordem até na fila para pegar o metrô. Em estações com entradas estreitas é comum haver filas gigantescas em horários de rush. Inicialmente, achei muito estranho, pois não tem o empurra-empurra na multidão para entrar na estação. Sem contar a tranquilidade de andar a pé até de madrugada pelas ruas da cidade.

Outra curiosidade é quase não haver lixeiras pelas ruas de Tóquio, e mesmo assim a cidade é limpíssima. Depois do atentado de 11 de setembro às torres gêmeas, nos Estados Unidos, por questão de segurança, as lixeiras foram retiradas das ruas, e os japoneses tiveram de mudar hábitos. Cada um precisa “manter” seu lixo, e descartá-lo em casa.

Gastronomia

A gastronomia é outro ponto alto da cultura oriental. A culinária é baseada em peixes e frutos do mar, e os pratos são servidos em pequenas porções, destacando-se por sua apresentação, que encantam os olhos de quem vive no Ocidente. O que me chamou muita atenção foram os tipos de alimentos servidos no café da manhã. Eram mais de cinco estações de buffet com diferentes opções, desde frutas, pães e cereais até arroz, salada, misturas de pratos típicos do Japão, sopas, ovos, batata frita e peixes.

Mas o que mais atraiu o meu paladar foram os sashimis. Eu comia todos os dias. Além da beleza dos pratos, o sabor do peixe é diferente. O temaki também muda em relação ao brasileiro, que é bem mais recheado. O shoyu lá é mais ralo, não tão salgado e servido em pequenas porções. Os japoneses não usam o molho como os brasileiros, que mergulham o sashimi no shoyu (risos).

Templos

O Japão também é muito conhecido por seus templos e santuários, de estruturas antigas e imponentes. Ao lado da Tokyo Tower, o Zojoji é o principal templo budista da Jodo Shu. Construído em 1393, a maioria dos espaços são reconstruções recentes, exceto o portão principal, que resistiu ao tempo. É um local popular, muito visitado por turistas.

Há também ali um jardim com diversas estátuas que representam bebês que não nasceram – crianças natimortas ou abortadas. O local é muito visitado pelas mães que perderam seus bebês. Elas “adotam” uma estátua e a enfeitam, além de deixarem presentes para Jizo, o guardião das crianças não nascidas.

No Templo de Kotoku-in, em Kamakura, fica a famosa estátua de bronze, o Grande Buda. Com mais de 13 metros de altura, a estátua é oca por dentro, e os visitantes podem entrar e observar seu interior. Segundo a história, a estátua de bronze data de 1252 e foi uma reconstrução de uma antiga, de madeira, danificada por uma tempestade.

Oportunidade Única

Conheci o Japão por meio do Programa Formação de Geração Futura da Comunidade Nikkei, cujo objetivo é proporcionar a universitários que aprofundem seus conhecimentos sobre o Japão. Integrei um seleto grupo de dez latino-americanos para visitar Tóquio e região a convite do Ministério de Relações Internacionais do Japão. Foi uma semana de programação intensa, com palestras de especialistas do governo e profissionais renomados, além de reuniões com parlamentares e vice-ministros.  Tive ainda a oportunidade de conhecer o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que, em um breve encontro com o grupo, comentou a importância de se aproximar da comunidade nipônica na América Latina.

Além da programação institucional, a viagem contou com passeios a templos, museus e fábricas. Nunca aprendi tantas coisas em tão pouco tempo. O país é fantástico, Tóquio se destaca pela infraestrutura e é uma cidade que realmente não para. O povo é muito educado, a organização e a pontualidade são fora do comum e o valor que dão à educação e à ética é algo incomparável com a nossa situação. Temos muito a aprender com os japoneses.

16 de Maio de 2019
Por Fernanda Yanaze Maia

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