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Cristiano Xavier é um mineiro que ama fotografar. Apesar de ter se formado em odontologia, ele se dedica exclusivamente à fotografia há 15 anos e é um dos fundadores da OneLapse Expedições Fotográficas. A seguir, você confere o relato e as imagens das viagens incríveis dele para o Irã

Estive no Irã em duas oportunidades. A primeira em fevereiro de 2016 e a segunda um ano depois, em fevereiro de 2017. Conhecer aquele país era um sonho antigo. Sempre quis aprender um pouco mais sobre sua cultura milenar e ver de perto todas as restrições que fazem do Irã um destino cobiçado por muitos fotógrafos.

Antes de viajar, pesquisei bastante sobre a região e li um livro escrito por um jornalista brasileiro que morou alguns anos lá.

Se eu dissesse que não estava com receio antes de embarcar, estaria mentindo. Aventurar-se em um país com costumes tão conservadores, cheio de regras de comportamento diferentes e com uma crise política externa, deixa qualquer um apreensivo. Mas não menos entusiasmado.

As primeiras e segundas impressões

Na primeira viagem, em 2016, percorri, junto com um amigo e um guia local, cerca de 2500 km em um carro pequeno, pelas principais cidades do Irã. Visitamos museus, os famosos jardins, mercados, mesquitas, ruínas, etc. Mas sempre com um foco maior em tudo aquilo que era rico para a fotografia e fora da rota turística convencional, com o objetivo de ter uma verdadeira imersão na cultura local.

Os mercados iranianos são uma viagem no tempo. Tapetes, temperos e muita arte, tudo isso em meio a um número absurdo de pessoas. As mesquitas têm uma arquitetura bem detalhada e colorida que remete às dinastias antigas. Os costumes islâmicos são muito diferentes, e tive que me adaptar com o tempo.

Já na segunda viagem, que fiz este ano, eu estava familiarizado com o país. Pude aproveitar muito mais e mostrar para as pessoas o quão belo e receptivo é o Irã.

Conversas e costumes

Os momentos mais incríveis foram quando passamos dois dias na companhia de duas muçulmanas tradicionais, gêmeas, amigas do nosso guia. Foi fantástico ter um contato mais próximo com elas. Tiramos algumas dúvidas sobre a cultura e também fotografamos livremente nos mais belos cenários de Isfahan (terceira maior cidade do país, a 340 km ao sul de Teerã, capital do Irã).

Outro momento muito interessante foi um almoço na casa de uma senhora, numa pequena cidade do interior. Lá experimentamos comida caseira, conhecemos o ambiente de uma casa iraniana e o processo de confecção dos famosos tapetes persas, que ela faz há 40 anos.

Ainda sobre o povo do Irã, observamos que as pessoas são simpáticas e muito curiosas. Perguntam tudo aos turistas e sempre estão dispostas a ajudar. Quando comparadas ao Brasil, as diferenças de costumes são enormes.

Apesar das regras do islã ditarem a forma de viver das pessoas, fica evidente que os mais jovens já não concordam tanto com os costumes impostos. Algumas mulheres mais novas, por exemplo, já deixam parte dos cabelos à mostra e usam muita maquiagem, duas coisas que são teoricamente proibidas por lá.

A questão religiosa também me pareceu ser bem relativa. Os iranianos vivem muito bem, e muitos deles gostam de seguir as regras e acreditam fielmente que isto é o mais correto a se fazer.

Momentos de tensão

Um dos momentos mais tensos da viagem foi quando fotografamos sem querer uma base da milícia local, em frente à antiga embaixada americana em Teerã. Fomos abordados por um soldado que nos obrigou a apagar as fotos.

Mas esse foi o único momento pesado. Já no fim da nossa viagem, experimentamos o prazer de fotografar à noite em meio às ruínas abandonadas na região de Yazd, no deserto iraniano. Um momento inesquecível.

Para quem pensa em conhecer o local, minha recomendação é na primeira vez fazer um roteiro mais clássico, passando pelas cidades mais conhecidas, como Teerã, Isfahan, Shiraz e Yazd. Já em uma segunda oportunidade, vale visitar os vilarejos mais afastados e o deserto, que também é lindo!

Algumas dicas

Para quem pensa em se aventurar nesse destino, algumas dicas são: pesquisar com antecedência os costumes, para evitar alguma gafe ou transtorno maior; evitar ofender pessoas que não estão acostumadas com turistas ou aqueles que são mais conservadores; ter a certeza de que está viajando com alguém de confiança, que vai proporcionar uma experiência verdadeiramente única; escolher bem a data, considerando festividades locais, época de eleições e, principalmente, o clima.

Por falar no clima, é importante destacar que o inverno e o verão no Irã são muito rigorosos. Sendo que, nas outras estações, os iranianos costumam viajar dentro do próprio país, já que são proibidos de viajar para outros lugares. Logo, recomendo viajar ao Irã na baixa temporada e em datas sem temperaturas extremas.

Tolerância e respeito

O Irã possui uma das histórias mais ricas e antigas do mundo. Viajar por lá é um processo intenso de aprendizado, mas que vale cada momento. E por mais que a gente leia e ouça falar sobre cada lugar, somente visitando e conhecendo de perto é possível quebrar todos os preconceitos.

Muitas das coisas que aprendemos sobre algumas culturas ao longo da vida não procedem, e viajar permite ampliar nossa capacidade de percepção do mundo e das pessoas. O maior aprendizado que tive é que não há verdade absoluta e que é preciso haver tolerância e respeito sobre a forma como cada um pensa e vive.

16 de Dezembro de 2018
Por Cristiano Xavier

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