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Conheça a aventura de Juliana Puppim que viajou sozinha pela África

Se você já se pegou querendo sumir no mundo depois de ter saído de um relacionamento ou por estar em crise existencial, você é o meu tipo de pessoa! Nada mais saudável do que renovar as energias e o astral em outros cantos. Foi assim que, depois de um ano difícil, decidi tirar um mês para viajar sozinha em busca de novidades. E fui parar na África do Sul! Quer dizer, não foi tão fácil assim. Eu era insegura, travada e me preocupava demais com aquele lance de “se virar sozinha”, e também tinha receio de que o meu inglês não desse conta, por mais que tivesse estudado alguns anos quando era mais nova. Meus pais e meus amigos acharam minha ideia meio maluca. Como assim, ir para a África sozinha? Só que eu precisava ir, me testar e pôr à prova minha capacidade de não depender de ninguém para ser feliz. Foi mais forte do que eu, então não pensei muito e fui, mesmo com medo.

DA SELVA DE PEDRA PARA A SELVA DE FATO

Na África, caí direto em um safari. Era um sonho antigo conhecer a natureza selvagem mais de perto. Hoje a internet é um grande facilitador, então consegui agendar tudo com antecedência. Passei quatro dias imersa na selva com um grupo que se formou em Johannesburgo. Alguns são amigos até hoje. Nos divertimos muito com os ataques de besouros e de babuínos, mas, mais do que isso, foi incrível ver um leão caçando e outros animais soltos seguindo seus instintos. Foi sem dúvida uma experiência única.

Do safari, voei para a Cidade do Cabo. Uma boa dica para se fazer amizades é ficar em albergue e em quarto compartilhado. Para mulheres, recomendo os quartos exclusivos femininos, só por precaução. E foi no albergue que conheci um francês e um brasileiro, que se tornariam companheiros em uma road trip pela costa sudeste da África rumo à Jeffreys Bay.

CIDADE DO CABO

A Cidade do Cabo é daquelas onde até ficar sem fazer nada é muito legal. Depois de curtir uma praia deliciosa em Camps Bay e comer mariscos num dos restaurantes da orla, regado a um bom vinho branco, resolvi subir a Table Mountain para assistir ao pôr do sol.  A-LU-CI-NAN-TE! O visual é perfeito. Ali eu pude ficar um bom tempo simplesmente respirando, meditando e existindo. Estar ali fez eu me sentir privilegiada. Foi muito especial, e guardarei aqueles momentos com muito carinho na memória.

O Victoria & Alfred Waterfront, antigo porto da cidade, foi revitalizado e se tornou um complexo de restaurantes, lojinhas, lanchonetes estilosas, galerias de arte… Admirar os veleiros que ali atracam ao som de um blues suave tocado por músicos locais deixa o caminhar muito mais agradável. Foi ali que descobri o melhor milk-shake de todos, numa lanchonete estilo vintage anos 60, com jukebox para escolher o som.

Parece irresistível? Imagine então o Cabo da Boa Esperança! Meus dois novos amigos e eu alugamos um carro super em conta e o estreamos na estrada Chapman’s Peak Drive. Todo o trajeto é de deixar qualquer um babando. O mar é de um azul incrível! Eu que sou aficionada por história, fiquei imaginando toda a dificuldade que os desbravadores enfrentaram para chegar às Índias tentando cruzar aquele cabo. Ainda bem que conseguiram, pois isso influenciou diretamente a gastronomia sul-africana. As especiarias utilizadas lá são herança dessas expedições. Sorte nossa que eles foram bem-sucedidos!

Refiz o mochilão e parti para a road trip acompanhada dos meninos, mas comigo no volante. A única recomendação que recebi foi a de não dirigir à noite, por causa do risco de animais cruzarem a pista. Então, sem pressa, começamos em Stellenbosch, famosa por suas vinícolas. Degustar um vinhozinho sempre cai bem. Em Mossel Bay, paramos para curtir a praia, um episódio à parte. Começando pelo fato de que essa região recebe correntes marítimas gélidas, e junto com elas chegam os queridos tubarões. Por isso, é bem comum se deparar com uma espécie de cercadinho feito de rede dentro do mar, delimitando a área de banho. É a maneira que eles encontraram para tentar proteger os banhistas, principalmente os turistas desavisados. Quem quiser mergulhar fora dessa área, sem problema, desde que assuma os próprios riscos. Com isso, basicamente todas as pessoas se concentram por perto do cercadinho. Além disso, rolou uma cena hilária. O meu biquíni brasileiro foi vítima de muitos olhares curiosos, mesmo sendo normalzinho para os nossos padrões. Nada tão pequeno, mas, para os europeus, o nosso biquíni é um misto de afronta e modernidade sensual. E olha que eles são fãs do topless.

Vai entender!

Um lugar que adorei conhecer foram as enormes cavernas de Cango Cave. Foi demais ver as formações internas, andar lá dentro, e às vezes ter até que engatinhar para passar em alguns trechos mais apertados. Depois de muitas horas nessa visita, seguimos para Knysna. Que povo acolhedor! Fomos tão bem recebidos que logo na primeira noite já participamos de um jantar com direito a fogueira na praia e tudo mais. Esses momentos de confraternização são os meus preferidos. É aquela hora em que conhecemos pessoas do mundo inteiro, cada um com uma história diferente, que está ali aberto a novos prazeres e para compartilhar experiências. Trocar ideias é, para mim, o que deixa a viagem ainda mais rica.

Partindo de Knysna, esticamos até Plettenberg Bay, onde seria a nossa base para pular de bungee jumping. A minha relação com o medo é de muito respeito. Acho fundamental sentir aquele frio na barriga, desde que ele não me domine e me paralise. Por isso, mesmo com todo o medo do mundo, eu tive que pular de uma ponte de 216 metros de altura presa por uma corda elástica. Desafios deixam a gente mais forte, foi o que pensei, mas a verdade é que as minhas pernas tremiam tanto que eu não pulei. Os rapazes fizeram a contagem regressiva e simplesmente me soltaram. A adrenalina é tão intensa, mas tão intensa, que segundos duraram horas. Logo que voltei para a base da ponte, eu só dizia “never again”, mas o tempo passou, o medo foi esquecido e hoje eu faria exatamente do mesmo jeitinho.

Precisei de uns dois dias relaxando para abaixar a adrenalina e pegar a estrada rumo ao réveillon em Jeffreys Bay. Escolhemos, sem saber, o Island Vibe, o hostel mais badalado da cidade. A plaquinha da entrada, “Piratas à vista!”, já dizia tudo, festa de ano-novo! J’bay, para os íntimos, é pequena e fácil de circular. Dá para alugar uma bike e rodar tudo rapidinho. Aqui é a galera do surf quem comanda, ou seja, é tudo muito relax e na paz. Bem o meu tipinho. Para a noite da virada, o pessoal levou o tema muito a sério, e a maioria se vestiu a caráter. Os barmen descolados estavam apenas com um colete preto e uma bandana de pirata na cabeça. Isso era tudo, de verdade! Visualize a cena: eles preparando drinks e fazendo malabarismos com cumbuquinhas presas nas partes de baixo. Estratégia ótima para ganhar boas tips, não?! O legal é que todos entraram no clima de muito alto-astral. E nos segundos finais, numa miscelânea de idiomas, todos gritaram a contagem regressiva, com os pés na areia, até estourarem os fogos de artifício.  Foi de arrepiar! E um mergulho no mar para renovar as energias fechou o meu ano.

Ninguém volta para casa o mesmo depois de uma trip como essa. Provei o sabor da liberdade. Antes, uma garota tímida e cheia de incertezas. Hoje, me sinto mais forte para enfrentar qualquer desafio. Gosto especialmente mais dessa mulher que voltou, que leva a vida destemida e com mais intensidade. Que se arrisca em fazer coisas que a atraem, mesmo remando contra a maré, mas que está numa eterna busca de si. O mais gostoso disso tudo é que ainda fiz amigos do mundo inteiro e agora tenho sempre um motivo extra para viajar mais. Descobri que sair da zona de conforto é bom demais, e quando tudo parece estar sossegado, dou aquela chacoalhada, para me lembrar de não desistir do sonho de viver cada segundo como se fosse o último.  Mesmo porque… só temos uma chance de fazer dar certo, não é!? Portanto, só posso dizer: vá atrás do que o move, que faz seus olhos brilharem. Vá sem medo, se jogue e seja feliz!!

23 de Setembro de 2019
Por Redação

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