fbpx

Aloha, Havaí!

Cinthia Paranhos é ex-publicitária e ex-empresária, e atualmente viaja o mundo fotografando o mar, ondas gigantes, céus estrelados, neve e auroras boreais. Ela adora o Havaí e conta para a Wood’s Magazine o que mais a encanta nessa região conhecida pelas ondas e seus cenários paradisíacos.

Passar uma temporada no Havaí era um sonho meu desde a adolescência. Como uma admiradora do mundo do surf, as paisagens paradisíacas e as ondas imensas que chegavam ao arquipélago havaiano no outono e no inverno me encantavam. Claro, eu sabia dessas coisas todas pelos filmes e revistas de surf que acompanhava. Sabia muito sobre as ondas e pouco sobre o dia a dia.

Em 2012, depois que resolvi deixar a vida de empresária, eu me vi com tempo para realizar esse sonho, então me apaixonei, e agora não consigo imaginar passar os últimos meses do ano em outro lugar. Quando eu disse que estava indo para o Havaí realizar um sonho adolescente, os meus amigos e familiares me deram muita força. O que impulsionou ainda mais a minha viagem. Desde então, costumo passar os meses de novembro e dezembro na região.

Oahu – O reino do surf

O Havaí é o 50º estado americano. Tem algumas peculiaridades, e a cultura havaiana ainda resiste, estando muito presente no dia a dia do arquipélago. O chamado espírito Aloha é visível no modo de as pessoas se tratarem e no respeito à natureza.

Minha base é a costa norte da ilha de Oahu, para onde o mundo do surf ruma todo fim de ano. Por esse motivo, um dos meus maiores receios antes da viagem era porque o North Shore havaiano é considerado caro e não oferece muitas opções de hospedagem. Na primeira vez que fui, recorri a um amigo que mora lá para me indicar algum lugar para alugar.

A cidade mais próxima de Oahu é Haleiwa, que fica a 20 minutos de carro. É conhecida por seus restaurantes deliciosos, que servem desde peixes e frutos do mar (lógico!) até comida mexicana e sanduíches naturais. Visite o Haleiwa Joe’s quando tiver oportunidade, é incrível.

Mas, voltando a Oahu. A ilha possui o título de mais civilizada das ilhas havaianas. Apesar de ser a mais populosa do Havaí, em alguns lugares você pode pegar praia completamente sozinha, o que dá a ela um ar paradisíaco. A vida por lá é simples. As pessoas acordam e dormem cedo. Não há grandes restaurantes ou muita badalação. É praia o dia todo.

O sul da ilha é a parte mais povoada. É onde ficam a badalada praia de Waikiki, os shoppings, milhares de lojas, baladas, bons restaurantes, hotéis cinco estrelas, turistas de camisas floridas e muita gente tentando aprender a surfar em ondas de 20 centímetros. Pertinho de Waikiki, fica o Diamond Head, um vulcão extinto que virou parque. A subida até o topo da cratera tem cerca de 1 quilômetro, mas a vista lá de cima compensa. O leste da ilha tem praias de água azul-clara, como as do Caribe, e a baía mais famosa da ilha para a prática de snorkeling, Hanauma Bay, imperdível!  O lado oeste é mais selvagem, com montanhas escarpadas e praias vazias.

O norte da ilha, aonde costumo ir, é a capital mundial do surf. De outubro a março, os melhores surfistas do mundo estão por lá, e o show de surf é garantido. Sempre quando estou lá, não me canso de admirar as paisagens, e quando estou longe, me vem à lembrança o cheirinho de abacaxi (em Oahu, há inúmeras plantações de abacaxi), o pôr do sol, as ondas perfeitas, os doze arco-íris diários. De um lado, as montanhas verdinhas, do outro, praias da cor das do Caribe.

Ondas perfeitas e o falso alerta de Tsunami

Em Oahu, é muito difícil se locomover usando transporte público. O ideal é alugar um carro. No sul da ilha, o trânsito é intenso e bem congestionado. É importante tomar cuidado com a velocidade máxima e só estacionar onde for permitido. De resto, é preciso respeitar as leis e o povo local.

O momento mais incrível que passei foi em 2013, na véspera do Dia de Ação de Graças, ou “Thanksgiving”, como é chamada essa data tradicional para os americanos. Nesse dia, a ilha de Oahu recebeu uma ondulação enorme, com direção e ventos em perfeitas condições. Foi um dia inteirinho de ondas perfeitas e gigantes. Um verdadeiro espetáculo da natureza.

Por outro lado, também em 2013, aconteceu o momento mais tenso. Na semana em que cheguei ao Havaí, chovia muito. Lá pelo quarto dia, no começo da noite, recebi um alerta muito alto, pelo celular e pela TV, ao mesmo tempo. Como o Havaí é vulnerável a tsunamis, não pensei duas vezes. Fiz rapidamente uma mala, só com o principal, e saí. Quando cheguei à varanda, ouvi os vizinhos fazendo churrasco e se divertindo tranquilamente. Fui ler melhor o alerta e… era apenas um alerta de alagamento em um bairro próximo ao que me hospedo. Ufa! Não foi nada muito sério, mas o susto foi grande.

A vida vem em ondas

Em Oahu, o mais comum é surfar. Existem ondas para todos os níveis de surfistas. Fora isso, é possível fazer snorkelings inesquecíveis (Hanauma Bay e Sharks Cove), mergulhar com tubarões ou fazer stand up paddle com tartarugas (em Haleiwa), voar de planador ou saltar de paraquedas (o aeroclube fica próximo ao Ka’ena Point, no North Shore), além de aproveitar as infinitas trilhas e cachoeiras. Em Mokuleia, também no norte, as condições são perfeitas para o kitesurf. Aventura é o que não falta em Oahu.

Todos devem visitar esse lugar porque a natureza foi realmente generosa com essa parte do mundo. Além de ser realmente respeitada. Passar dois meses sozinha, num país que não é o meu, sem muitos conhecidos por perto, sempre traz crescimento pessoal. Eu gosto muito desta época do ano, sinto que é o momento de colocar a cabeça em ordem e me organizar para começar o ano com mais energia.

Viajar sempre rende amadurecimento. No meu caso, que amo fotografar, também rendeu mais de 50 mil fotos – até agora – desse local que amo. Ao sair do nosso mundo, da nossa rotina, ficamos mais abertos a outras realidades. Nos tornamos mais sensíveis e tolerantes ao outro. Tolerância, aliás, foi apenas uma das importantes lições que aprendi com esse lugar maravilhoso. Aloha!

25 de Março de 2019
Por Cinthia Paranhos

Posts Relacionados

Por que visitar o Vale do Loire?

Destino Certo|

Robson é dono de uma agência de publicidade e um apaixonado pelo mundo. No começo de 2011, poucos meses depois de formado, iniciou o planejamento da sua primeira grande viagem com uma câmera na mão, uma mochila nas costas e muitos destinos no mapa. E nunca mais parou.

A natureza selvagem da Namíbia

Destino Certo|

A fotógrafa e viajante Cinthia Paranhos fez uma viagem para a Namíbia. Ela escolheu o país pelas paisagens inóspitas do deserto e a possibilidade de ver muitos animais selvagens.

2019-03-01T10:01:27+00:00