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A natureza selvagem da Namíbia

A fotógrafa e viajante Cinthia Paranhos fez uma viagem para a Namíbia. Ela escolheu o país pelas paisagens inóspitas do deserto e a possibilidade de ver muitos animais selvagens. O resultado dessa aventura ela contou com exclusividade para a Woods Magazine, e você confere a seguir.

Fui à Namíbia em setembro de 2016 com um grupo de fotógrafos e um guia espanhol que tem um faro impressionante para encontrar animais no meio da savana. Eu sabia pouco sobre o lugar, tinha conhecimento sobre as paisagens que encontraria e só. A minha principal preocupação era com a malária, bem comum no norte do país.

Nossa viagem durou vinte dias e passamos por diversas áreas: deserto, litoral, savana e algumas poucas cidades.

O vale da morte

Logo no começo da viagem fomos até o Parque Nacional de Sossusvlei, ou Vale da Morte, para fotografarmos as famosas dunas em tons de laranja e vermelho de até 300 metros de altura. No meio dessas dunas há um vale, o Deadvlei, com solo de argila branca e muitas acácias mortas. Avistar o vale pela primeira vez foi um dos momentos inesquecíveis da viagem. A composição com dunas vermelhas, o céu azul sem nuvens e o chão branco é um banquete para qualquer fotógrafo.

Deitei no chão e fiquei um bom tempo absorvendo aquele momento. Escureceu. De um lado do vale, a lua crescente iluminava toda a cena, e do outro, podíamos ver muitas estrelas e um pedaço da Via Láctea. Uma experiência para guardar para sempre.

Um presente em Etosha

Outro momento especial que vivi foi no Parque Etosha. Perto do hotel existe um poço para impedir que os animais entrem na área privativa, entretanto, o local é iluminado o suficiente para os hóspedes verem os bichos durante a noite. Naquele dia, eu assisti ao clássico pôr do sol africano de frente para um desses poços, com algumas girafas decorando a paisagem, o que já era incrível. Assim que a luz do dia acabou, elas se foram, e eu fui jantar com o restante do grupo. Depois da refeição, resolvemos verificar se havia alguma movimentação no poço.

Ao chegar lá, uma surpresa: pelo menos 20 elefantes e um rinoceronte estavam se refrescando no local, bem diante de nossos olhos. Fiquei um bom tempo admirando aquele momento, com a sensação de ter ganhado mais um presente da natureza. Foi mágico. Um espetáculo sem igual.

Nossos ancestrais

Conforme íamos em direção ao norte, a paisagem surpreendia ainda mais. Inúmeros fins de tarde coloridos, vales com formações rochosas impressionantes e os primeiros contatos com as tribos ainda existentes no país.

Primeiro conhecemos os Hereros, um povo lindo, com suas roupas coloridas e a trágica herança de ter vivido um dos primeiros genocídios do século XX.

Entre 1904 e 1907, 70% da população, cerca de 65 mil hereros, foi morta enquanto a Alemanha colonizava o país.

Depois conhecemos os Himbas, povo seminômade liderado pelas mulheres de vermelho. Elas se cobrem com um misto de gordura animal e ocre, para protegerem a pele do sol e do vento. Os cabelos trançados também são cobertos pela mistura vermelha, e é por isso que elas são facilmente reconhecidas.

Por fim, passamos dois dias com a tribo San ou Bushman. Eles carregam consigo o DNA mitocondrial de 150 mil anos e são considerados nossos ancestrais vivos.

Trouxe comigo algumas pulseiras da tribo das Himbas, uma boneca feita pelas mulheres Hereros e um elefante de tecido comprado em uma escola linda em Sossusvlei.

Tensão nos momentos finais

No fim da viagem, perto da tribo dos Bushman, ficamos em uma espécie de acampamento muito comum na África. Os quartos são em cabanas de lona, equipados como qualquer quarto de hotel. O meu, por exemplo, tinha até banheira. Mas não deixa de ser uma barraca em uma área circundada por muitos animais selvagens.

Na primeira noite, confesso que senti medo. Passaram várias coisas pela minha cabeça. E se um elefante aparecer? Ou um leão? Mas o cansaço era tão grande que logo o medo perdeu a vez e peguei no sono. Por via das dúvidas, dormi com uma lanterna acesa. Caso um bicho aparecesse e entrasse na minha cabana, pelo menos eu conseguiria vê-lo (risos).

Na manhã seguinte, meus amigos comentaram que ouviram barulho de leão e hiena perto do acampamento, mas eu não ouvi nada. Amém!

Para toda a vida

A Namíbia me surpreendeu muito, positivamente. O país é bastante seguro, organizado e, ao menos aos olhos de uma turista, consegue conciliar as influências do mundo ocidental e a preservação de culturas nativas. Para quem tem interesse em conhecer, recomendo planejamento, estar atento à vacina de febre amarela, levar e usar muito protetor solar e ter água mineral sempre à mão.

No mais, é um local que se deve conhecer para ver de perto as paisagens selvagens e ainda protegidas das ações nocivas do homem. É bom também para se conectar com a natureza e ter a consciência do que é realmente necessário para ser feliz.

Cada encontro com um elefante, cada noite estrelada, cada rajada de vento frio me traz sensações extremamente gratificantes. O contato com a grandiosidade da natureza nos torna mais humildes.

12 de Dezembro de 2018
Por Cinthia Paranhos

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