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Em entrevista exclusiva para a rádio Wood’s FM, Emicida revela planos para 2019 e fala sobre projetos paralelos

No último final de semana, Curitiba recebeu a primeira edição do Rap é Poesia Festival que contou com apresentações de DJ’s e Mc’s da capital paranaense, além de nomes do Rap nacional como Emicida, Rael, Cynthia Luz e Matuê. Batemos um papo com o Emicida, no camarim dele, sobre vários assuntos. Confira!

Lola: Você veio pra Curitiba no ano passado, se apresentou em um festival com vários gêneros, inclusive, durante seu show, participaram com você a roqueira Pitty e o rapper Mano Brown. Agora você voltou para se apresentar em um festival focado no Rap. Como é essa sensação pra você?

Emicida: Primeiramente, eu fico feliz por poder circular por tantos universos, sabe? O que aconteceu ano passado foi bem bacana, mas a gente tava corrido, também. Eu lembro que a gente tinha outro show em São Paulo, então eu nem curti direito a parada. Hoje a gente tem um pouco mais de tempo e acho que isso é um sonho nosso de, no mínimo, 15 anos. Poder rodar o Brasil, em festivais acontecendo com vários artistas de Rap ou de gêneros parecidos e que se associam ao Rap. De certa maneira, o Rap tá conduzindo a música brasileira pro século 21, de uma maneira muito fo*a que o Rael faz, que o Criolo tem feito, porque são caras muito criativos. Acho que tem uma nova geração também que tá chegando com uma potência monstra. Você olha o Djonga, olha o Filipe Ret, Recayd Mob e dá muito orgulho de fazer parte disso.

Lola: Quais são seus planos para 2019? Vai vir algum álbum novo, alguma mixtape? Vamos ter turnê nova?

Emicida: A gente tá em um tempo muito louco, né? Porque a gente aprendeu a consumir música baseada em disco, mas as pessoas não consomem mais músicas baseadas em discos, entende? Viraram algumas gerações e essa nova geração consome a música de uma forma muito mais esporádica, através de playlists, streamings, singles no Youtube, sabe? Metade da movimentação que a gente tem é o Youtube, que é uma ferramenta visual. Então com a música a gente fica até em um dilema artístico que parece que ela fica em um segundo plano. Vai fazer quase cinco anos que eu não lanço um disco. Cinco anos para os padrões de hoje é quase um término, né? (risos).

L: E mesmo assim, você continua em alta né?

E: Graças a Deus! Acho que é porque a gente semeou muita coisa e compartilhou o que a gente recebeu que foi uma benção. Eu me sinto muito orgulhoso de ser uma espécie de embaixador do gênero até hoje. [Eu] tenho uma circulação bacana com a geração que veio antes de mim, assim como tenho uma circulação bacana com geração que veio depois de mim porque eu aprendo com todos eles. Eu acredito que esse ano a gente vai lançar bastante coisa nova, sabe? Porque eu tô ansioso, também…e acho que todo esse tempo estudando e observando…acho que agora tem coisa pra falar!

L: Você também tem seu podcast, que também é vídeo no Youtube, o ”NÓIZ” e lançou seu livro, o ”Amoras”. Como esses dois projetos chegaram na sua vida e o que eles representam pra você agora?

E: Eu faço muita coisa. As pessoas que trabalham comigo têm que falar pra eu fazer menos coisas (risos). Agora, por exemplo, eu tô brigando pra arrumar um tempo pra fazer música!

L: Sério?

E: Sim, a gente tem a firma, tem esse lance dos livros, tem o lance dessas outras coisas que geram conteúdo e eu acho que [fora a música], eu sou ligado em muitas outras coisas. Eu sou viciado em quadrinhos, em desenho, eu quero desenhar de novo, cada vez mais, então isso vai tomando uma proporção, vai ocupando tempo e quando chega o momento que eu acho exato, eu compartilho isso. A ideia do livro, é uma ideia antiga; a ideia dos podcasts é uma parada interessante. Eu sou muito fã do Pharrell e ele faz isso lá na Beats (rádio americana), né? De trazer uma rapaziada que é uma conversa de dois artistas, sabe? De sentar ali e trocar uma ideia, de boa, sobre música, sobre arte. Eu quero voltar logo com isso, também. Eu dei uma brecada nas redes sociais também, tô fazendo um detox, mas quero voltar logo de uma forma bacana, de uma forma sadia pra poder compartilhar umas coisas bacanas com a mulecada que me acompanha e que já não é mais tão mulecada assim, que nem eu.

L: Que têm crescido com você, na verdade, né?

E: Eu tenho crescido mais, às vezes, até.

L: Emicida, muito obrigada!

E: Que isso! Vida longa pra nós, pra vocês e pra eles!

Texto e entrevista: Lola Dias

Fotos: Reprodução/Divulgação

Postado 20 de fevereiro de 2019

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