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Crítica: ‘‘Cemitério Maldito’’ é um bom longa para quem não quer assistir filmes de heróis nas telonas

Na próxima quinta-feira, o mundo vai poder acompanhar mais uma adaptação dos livros de Stephen King, o ‘‘Cemitério Maldito’’. O longa vem em um momento onde quem tem reinado nas telonas são os heróis e não os demônios e assombrações. Talvez, por esse motivo, ‘‘Cemitério Maldito’’ seja um longa um tanto quanto interessante.

O filme conta a história da família Creed, que se muda para o estado do Maine, nos Estados Unidos, para ter uma vida mais tranquila e longe da cidade grande, mais especificamente Boston, onde moravam até então. Em algum momento – muito tempo depois do início do longa – uma tragédia acontece e Louis Creed, o pai, toma uma decisão que muda o rumo da história de sua família para sempre – decisão essa muito previsível, após os acontecimentos iniciais.

‘‘Cemitério Maldito’’ tem algum elemento não identificável que me fez lembrar de filmes de terror mais antigos como ‘‘Chucky, o brinquedo assassino’’ e, talvez, ‘‘Halloween, a noite do terror’’, mas isso não transparece na história, porque é mais como o modo de filmagem foi feito do que pelo roteiro em si.

A qualidade de produção do longa não fica para trás, apesar de ter algumas pequenas falhas, quase imperceptíveis, em pontos específicos, como quando Louis Creed descobre, acompanhado de seu estranho vizinho, Jud Crandall, o local conhecido por ‘cemitério maldito’.

Um dos pontos altos do longa são os sustos presentes em praticamente toda cena e que podem deixar o telespectador apreensivo durante as duas horas de duração. Em grande parte do longa, a tensão sobre os próximos passos da família pode ser a chave para que o sucesso de ‘‘Cemitério Maldito’’ se propague. Mas se engana quem acha que o longa pode ser uma adaptação fiel ao livro, até porque os livros de Stephen King são profundos e complexos demais para caberem em duas horas de um filme. Ainda sobre a adaptação, ‘‘Cemitério Maldito’’ pode ser considerado um quase remake do ‘‘Cemitério Maldito’’ de 1989, mas com mais ‘‘leveza’’, obviamente adaptado para os dias atuais.

Em contrapartida, telespectadores que forem ao cinema procurando um bom filme de terror, sem qualquer histórico de adaptação ou regravação, também podem aproveitar bem essa versão mais jovem do longa já que ele tem um começo, meio e fim (aberto à possibilidade de continuação) e pode satisfazer o público.

A interpretação de Jason Clarke como Louis Creed é boa, mas Amy Seimetz como Rachel Creed, a mãe, faz o telespectador se colocar no lugar dela e presenciar por segundos a angústia de perder uma filha e depois descobrir que o próprio marido e pai da criança a desenterrou para tentar ressuscita-la sem nem mencionar essa possibilidade para a própria mãe, quebrando a confiança que existia entre casal.

Há também um destaque para interpretação de Jeté Laurence, que interpreta Ellie Creed, a filha que morre e é trazida de volta a vida pelo pai. Em um primeiro momento, Jeté é só uma criança no papel de filha do casal principal, mas quando assume o papel de ‘‘Ellie morta-viva’’ suas habilidades de atriz mirim a colocam em destaque fazendo com que sua personagem ganhe mais interesse e um certo temor do telespectador.

Os figurinos também podem chamar a atenção do público, já que todos os personagens, incluindo os figurantes, são caracterizados de maneiras específicas e que contribuem para uma localização maior do telespectador nas situações de cada cena. As máscaras utilizadas em certa cena do longa também ganham destaque e, possivelmente, farão sucesso entre os jovens.

Os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer podem ficar tranquilos pois, apesar de todos os pontos negativos citados, ”Cemitério Maldito’’ tem grandes chances de ser o filme de terror mais assistido e comentado do primeiro semestre de 2019.

Texto: Lola Dias

Foto: Reprodução/Divulgação

Postado 02 de maio de 2019

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